É impressionante como algumas coisas que a gente escuta ao longo da vida parecem besteira, frescura ou até uma palavra bonita que as pessoas usam para parecer inteligentes. Só que, quando você para para pensar e começa a observar o que acontece na prática, percebe que algumas dessas coisas fazem muito mais sentido do que imaginava.
Você provavelmente já ouviu aquele ditado: “Cuidado com quem você anda.”
Cara, e se eu te disser que isso vai muito além de escolher boas amizades? E se eu te disser que as pessoas e os lugares que estão ao seu redor podem influenciar diretamente a pessoa que você está se tornando?
Vamos chamar isso de ambiente.
E quando eu falo de ambiente, não estou falando apenas do lugar físico onde você vive. Estou falando das pessoas com quem convive, das coisas que escuta, do conteúdo que consome, dos hábitos que observa e das ideias que estão presentes no seu dia a dia.
Basicamente, tudo isso participa da construção de quem você é. E, para entender a importância disso, vamos começar com um exemplo muito simples.
Você não nasceu com a personalidade que tem hoje
Pensa em um bebê recém-nascido.
Ele vem praticamente com as “configurações padrão”. Não tem uma personalidade formada, não tem crenças construídas, não tem um jeito próprio de falar, não tem um time de futebol para torcer, uma comida favorita ou uma ideologia para defender.
Ele ainda não desenvolveu todas essas preferências e formas de enxergar o mundo.
Agora, olha para os adultos responsáveis por essa criança.
Essas pessoas já têm uma personalidade, um jeito de pensar, uma maneira de falar, horários para dormir, hábitos alimentares, preferências, crenças e uma visão própria sobre o que é certo ou errado.
E aí vem a questão: quem você acha que vai servir de referência para essa criança?
São justamente essas pessoas que estão presentes no dia a dia dela.
A criança observa, escuta, imita e aprende. Muitas vezes, sem que ninguém precise sentar e ensinar alguma coisa diretamente.
Ela simplesmente convive com aquele ambiente e começa a absorver o que está ao seu redor.
E é aqui que você começa a entender como isso funciona.
Você aprende muito mais pelo ambiente do que imagina
Vamos supor que uma criança cresça em uma casa onde as pessoas falam usando determinadas gírias o tempo inteiro.
Qual é a tendência? Que ela também comece a falar daquela maneira.
Agora, imagina uma criança que cresce em um ambiente onde as pessoas utilizam uma linguagem mais formal, têm outros hábitos de comunicação e se expressam de maneira diferente.
A referência dela será outra, e isso também vai influenciar a forma como ela aprende a falar.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a diversas outras áreas da vida.
Se uma criança cresce em uma casa onde as pessoas têm uma alimentação pouco saudável, ela pode acabar se acostumando com esses alimentos e levando esses hábitos para a vida adulta.
Se cresce em um ambiente onde existe o costume de comer alimentos saudáveis, isso também pode se tornar algo natural para ela.
Se as pessoas da família dormem tarde, acordam em determinados horários, acompanham um time de futebol ou têm certos costumes, a criança vai observar tudo isso e pode começar a reproduzir esses comportamentos.
Percebe como funciona?
Não significa que toda criança será exatamente igual aos pais ou que ela nunca desenvolverá preferências próprias. Mas as pessoas que estão ao redor dela representam as primeiras referências que ela tem sobre como viver.
E isso não se limita aos hábitos mais simples.
Vamos imaginar uma situação mais séria.
Se uma criança cresce em um ambiente onde os adultos tratam determinadas atitudes erradas como se fossem normais, ela pode acabar aprendendo a enxergar essas atitudes da mesma forma.
Mesmo que aquilo seja prejudicial, injusto ou até criminoso, a criança ainda não tem a mesma capacidade de questionamento que um adulto desenvolvido. Ela está aprendendo a interpretar o mundo a partir das referências que possui.
Se as pessoas em quem ela confia dizem que aquilo é certo, a probabilidade é de ela crescer acreditando nisso.
E é justamente por isso que o ambiente tem tanta importância.
Aquilo que você presencia repetidamente pode começar a parecer normal, mesmo quando não deveria ser.
O problema é que você continua sendo influenciado depois de adulto
Agora, talvez você esteja pensando: “Tudo bem, mas isso faz sentido para uma criança. E quando a pessoa já é adulta?”
Cara, a questão é que esse processo não termina quando você cresce.
A diferença é que um adulto já possui uma história, uma personalidade mais desenvolvida, crenças, hábitos e maneiras próprias de interpretar as coisas.
Ele não está começando do zero.
Pensa em alguém que passou a infância inteira aprendendo determinada maneira de viver. Durante a adolescência, essa pessoa continuou convivendo com pessoas que pensavam de forma parecida. Depois, escolheu amizades que reforçavam as mesmas ideias e passou anos consumindo conteúdos que confirmavam aquilo em que já acreditava.
Agora imagina essa pessoa chegando à vida adulta depois de dez, vinte ou trinta anos convivendo com referências semelhantes.
Você acha que vai ser simples mudar tudo isso de uma hora para outra?
Provavelmente não.
Afinal, essas ideias não apareceram ontem. Elas foram sendo reforçadas ao longo do tempo, por meio de experiências, relacionamentos, hábitos e situações que se repetiram durante anos.
A pessoa pode nem perceber que está reproduzindo determinados comportamentos porque, para ela, aquilo sempre foi normal. Independentemente de estar certo ou errado.
Ela aprendeu a pensar daquela maneira, aprendeu a reagir daquela maneira e se acostumou a viver daquele jeito.
E, quando você se acostuma com alguma coisa durante muito tempo, mudar pode exigir um esforço muito maior do que simplesmente decidir que quer fazer diferente.
Quanto mais tempo se reforça um hábito, mais difícil pode ser mudar
Vamos supor que você tenha crescido acreditando que determinada coisa é certa.
Sua família pensa assim, seus amigos pensam assim, as pessoas que você acompanha na internet pensam assim e praticamente todo mundo com quem você convive reforça essa mesma visão.
Durante anos, você escuta os mesmos argumentos e presencia os mesmos comportamentos.
Em algum momento, aquilo deixa de parecer apenas uma opinião entre várias possibilidades. Passa a fazer parte da maneira como você interpreta o mundo.
Agora imagina que, depois de muito tempo, você comece a perceber que existe algo errado nessa forma de pensar. Sem aquele papo de que, se todo mundo acredita em algo, então necessariamente aquilo está certo.
Talvez você queira abandonar um vício, melhorar sua disciplina, mudar seus hábitos, aprender coisas novas ou simplesmente se tornar uma pessoa diferente daquela que você foi durante boa parte da vida.
O problema é que você não está lutando apenas contra um comportamento isolado.
Você também precisa lidar com os costumes que desenvolveu, com as referências que acumulou e com o ambiente que continua reforçando aquilo que você deseja mudar.
É como tentar seguir uma direção enquanto tudo ao seu redor continua empurrando você para o lado contrário.
E isso ajuda a entender por que algumas mudanças parecem tão difíceis.
Não é necessariamente porque a pessoa não quer mudar. Às vezes, ela está tentando construir uma nova maneira de viver enquanto continua cercada pelas mesmas influências que contribuíram para formar a maneira antiga.
Mas existe um detalhe importante aqui: ser mais difícil mudar não significa que seja impossível.
Se você quer mudar, comece a observar o ambiente em que você vive
Agora chegamos à parte mais importante de tudo isso.
Se o ambiente influencia a pessoa que você se torna, o que acontece quando você decide conscientemente mudar esse ambiente?
Vamos supor que você queira se tornar uma pessoa mais disciplinada.
Você quer parar de procrastinar, cumprir suas responsabilidades, cuidar melhor da sua saúde e começar a trabalhar nos seus objetivos.
Só que, ao mesmo tempo, você passa a maior parte do seu tempo com pessoas que não levam essas coisas a sério. Seu círculo de amizades incentiva hábitos contrários aos que você quer desenvolver, e o conteúdo que você consome reforça comportamentos que você está tentando abandonar.
Percebe a contradição?
Você quer construir uma vida diferente, mas continua alimentando as mesmas referências que ajudaram a construir sua vida atual.
Nesse caso, não basta simplesmente dizer que você quer mudar.
Há quem diga que, quando trabalha em casa (home office), não consegue ser produtivo porque se distrai com facilidade, procrastina muito (por estar acomodado demais) e não consegue se concentrar.
No entanto, quando está no ambiente de trabalho, sua produtividade aumenta. Acha mesmo que isso é coincidência? Se você está no ambiente de trabalho, só pode trabalhar, não tem outra coisa para fazer. Você trabalha, as pessoas ao seu redor trabalham, seu superior quer que você trabalhe e, consequentemente, você vai trabalhar. Consegue entender a lógica?
Então, e se aplicarmos isso quando quisermos aprender algo, mudar nossos hábitos ou até mesmo nossos pensamentos, por mais simples que pareça?
Manter a frequência na academia é difícil para boa parte das pessoas. Mas e se você se juntar a uma, duas ou mais pessoas que também frequentam a academia? E se seguir a mesma disciplina que elas? E se vocês combinarem horários para irem juntos? Com certeza, vai ficar um pouco mais fácil.
O AMBIENTE é algo extremamente poderoso.
Se quer aprender algo novo, aproxime-se de conteúdos, experiências e pessoas que contribuam para esse aprendizado.
Se percebe que determinado círculo social está constantemente incentivando comportamentos que você deseja abandonar, talvez seja necessário rever a maneira como você se relaciona com essas pessoas.
Isso não significa que você precise abandonar todo mundo que pensa diferente de você. Nem que deva começar a julgar as pessoas com base nos hábitos que possuem.
A ideia é outra.
Você precisa ter consciência de que aquilo que ocupa seu tempo e sua atenção também participa da construção dos seus hábitos e da sua maneira de pensar.
E, se você quer um resultado diferente, precisa começar a mudar algumas das coisas que fazem parte do seu dia a dia.


